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(Continuação)  

B-2 - CONSIDERAÇÃO POSITIVA INCONDICIONAL
Costumo afirmar que o terapeuta precisa, antes de mais nada, CRER NO SER HUMANO.
Esta crença não deve ser confundida com um Ato de Fé. Não se trata de uma crença envolta em mistérios, nem em beata benevolência. Consiste numa crença em que o ser humano, mesmo aquele que, por qualquer razão, estiver bastante limitado (expressando muito pouco do potencial que geralmente se nota nas pessoas), terá condições de ir além do ponto em que se encontra naquele momento.
Quando este ser humano nos procura, parece pedir, apenas, que o ajudemos a chegar mais próximo daquilo que ele mesmo é capaz de ser. Não pede que façamos por ele, mas sim que o ajudemos a fazer o que ele, naquele momento, está tendo dificuldade para realizar. Não pede que nos ponhamos à sua frente, mas ao seu lado. Sabe o caminho, apenas teme ir só. Talvez se sinta amedrontado, inseguro, mas o caminho é dele. O território também lhe pertence. E ele o conhece melhor do que nós. Tem o direito de escolher por onde ir, que estrada quer percorrer, o atalho que lhe parece mais conveniente. Tem o direito de se perder e de se achar. De andar ou parar. Não quero dizer, com isto, que só quando o terapeuta vê realmente seu cliente assim, tendo esses direitos, poderá, de fato, ajudá-lo. Mas, dentro de uma abordagem rogeriana, parece-me quase imprescindível que o terapeuta se sinta assim em relação ao cliente.
Segundo uma série de pesquisas, a terapia torna-se mais efetiva, quando há, por parte do terapeuta, uma genuína e profunda consideração positiva incondicional para com seu cliente, como uma pessoa que tem muitas potencialidades para se construírem.
Essa aceitação, ou seja, esta genuína e profunda consideração positiva incondicional, só pode ser chamada INCONDICIONAL se não for "contaminada" por julgamentos e valorações dos pensamentos, dos sentimentos e dos comportamentos do cliente.
Podemos chamar INCONDICIONAL, na medida em que não haja, de nossa parte, um julgamento dos fatos que o cliente nos traz, como se alguns fossem válidos e outros, nem tanto.
Não se pode usar um critério pessoal para considerar alguns fatos vividos pelo cliente como certos, e outros, errados.
Acredito na importância de vermos o cliente exatamente como ele é. Quando conseguimos vê-lo na sua singularidade, surge a possibilidade de percebermos que, nem sempre, estamos de acordo com o que ele diz. Em decorrência disso, podemos identificar-nos a nós mesmos e ao cliente como duas pessoas diferentes.
No momento exato em que conseguimos, convicta e plenamente, admitir essa verdade óbvia: "cada pessoa é única", temos, então, a chance de aceitar incondicionalmente o cliente, pois nasce, nesse instante, a possibilidade de percebermos o outro como outro, com total direito de ser o que ele é.
O que, muitas vezes, confunde as pessoas que buscam entender esse conceito de aceitação incondicional é o fato de imaginarem que essa atitude faria com que o terapeuta tivesse que concordar com tudo o que o cliente diz, expressa, sente... Não. O terapeuta pode não concordar com o que o cliente lhe relata, sobre o que sente ou pensa, mas esse não concordar não anula a aceitação, desde que possa fazer a distinção EU-TU. O que mais importa para o processo não é a concordância ou a discordância em relação ao que o cliente narra, ou seja, o fato de os dois terem percepções bastante díspares sobre os mesmos fatos, mas, sim, a vontade verdadeira do terapeuta de compreender "a verdade do cliente, o mundo, segundo a versão dele, cliente". Por isso, o terapeuta, que experimenta uma aceitação positiva incondicional do seu cliente, não aceita somente alguns sentimentos dele e nega outros.
O sentimento de aceitação plena e incondicional dos comportamentos do cliente é acompanhado de um "calor positivo", mas não possessivo. Esse interesse cálido pelo cliente é muito importante, mas é desejável que seja espontâneo, flua de um modo natural, de tal forma que não monopolize o outro, mas, pelo contrário, o deixe livre para "andar por dentro de si mesmo", facilitando, assim, sua autoexploração.
Poderíamos afirmar, repetindo Rogers:
 "(...) um calor positivo, não possessivo, que sai do terapeuta naturalmente, que não monopoliza, que
   é, que existe sem reservas e sem avaliações.”
Muitas pessoas do campo da psicoterapia, que adotam teorias diferentes da rogeriana, colocam em dúvida essa possibilidade de "não julgar". Essa dúvida expressa, também, uma dificuldade para entenderem o que se considera, na PCC, uma atitude de não julgamento.
O julgamento ao qual nos referiremos, aqui, não significa não ter uma opinião a respeito de um fato, ou, simplesmente, ser "neutro" na forma de perceber um fato.
Sempre que entramos em contato com algum fato, nós o julgamos. No caso do terapeuta, quando entra em contato com o discurso do seu cliente, é colocado diante de uma apresentação de fatos e, obviamente, ele os julga. O próprio cliente sabe que o terapeuta estará avaliando e julgando o que ele disser. Um exemplo disso pode ser observado quando o cliente diz: "Vou lhe falar uma coisa, que sei que você achará uma bobagem. Tenho certeza de que você vai achar isso muito idiota de minha parte”. Nesses momentos, sentimos que o cliente percebe que certas situações, que ocorrem na experiência dele, podem ser vivenciadas pelo terapeuta como se não as aprovasse, com as quais ele não concorda. Entretanto, é importante que se observe que ele – o terapeuta – provavelmente, naquela situação, não agiria  da maneira como o cliente está agindo. Por outro lado, indiscutivelmente, isso não o impede de sentir que a ação, realizada pelo cliente, se mostra muito coerente com o modo como aquela pessoa percebe a realidade.
O que mais importa não é exatamente o julgar ou não julgar. Muito mais importante na atitude do terapeuta é sua capacidade para perceber, da forma mais consciente possível, a discordância que há entre essas duas maneiras de pensar e sentir (a dele e a do seu cliente).
Seria, mais ou menos, assim: eu, como pessoa, como terapeuta, não concordo com o que o cliente está dizendo. Não penso dessa maneira. Esse julgamento tem origem em meus valores pessoais, que são, seguramente, diferentes dos que norteiam os julgamentos do meu cliente.
Se eu, como profissional, puder perceber isso com nitidez e não colocar esses sentimentos em "lados opostos", certo/errado, provavelmente poderei separar o que é meu e o que é do outro. Aceitarei a diferença entre nós, como pessoas distintas que percebem o mundo através de lentes que foram construídas ao longo da história de cada uma delas, e que guardam, em si, suas próprias verdades, "igualmente verdadeiras".
Se o terapeuta puder ver a relação com seu cliente como a de dois seres, que estão vivenciando realidades diferentes e igualmente válidas, poderá, também, com bastante facilidade, "caminhar no universo do outro", sem confundir o seu mundo com o dele.
Por isso, quando dizemos sobre empatia:
“É uma sensitividade imediata no aqui e agora. Sentir o mundo, não simbolizado do cliente como seus significados pessoais, próprios, COMO SE fora o do próprio terapeuta, mas sem nunca esquecer da qualidade do ‘COMO SE’" (ROGERS, 1974),
notamos que esses dois conceitos, Aceitação e Empatia, caminham unidos.
A aceitação cria melhores condições para a compreensão empática ocorrer, e vice-versa.
Quando compreendo e aceito que o universo do outro é OUTRO, e tento perceber esse universo como se eu estivesse mergulhado também nele, como se eu fosse o outro, então, o julgamento, que poderia ocorrer fora dessa condição, se dissolve, não tem mais lugar na relação.
Todos nós entramos em contato com o mundo, seguindo um critério de julgamento, baseado nas nossas experiências e vivências. Isso é indiscutível. Mas, por outro lado, na relação com o cliente, é importante que não se misturem:
- o que é meu, como percebo o mundo e o que sinto nele;
- o que é do cliente, como ele percebe e sente o próprio mundo.
A Consideração Positiva Incondicional refere-se tanto às expressões de sentimentos de hostilidade, dolorosos, aversivos, como também a sentimentos de amor, positivos, prazerosos. Isso ocorre porque todos esses sentimentos, tanto os que podemos chamar de amadurecidos, positivos, etc., como os que denominamos negativos, todos partem de um contexto complexo de vivências totais do indivíduo, e que, quando são expressos, revelam tão somente o seu mundo interior, tal como foi construído.
Em algumas teorias de terapia, sentimentos de amor ou ódio, que surgem durante o processo terapêutico, são vistos como sinalizadores positivos ou negativos, e servem para se inferirem alguns dados relevantes sobre o próprio tratamento. Dentro de uma Psicoterapia Centrada no Cliente, esses sentimentos são vivenciados no encontro terapêutico, sem que um deles seja considerado como mais ou menos positivo do que o outro. Representam sentimentos a serem compreendidos, aceitos como quaisquer outros e, não, julgados.
Os sentimentos de afeto, que costumam ocorrer em muitos relacionamentos cliente-terapeuta, podem ser compreendidos, a partir da própria qualidade da relação estabelecida entre o profissional e a pessoa que ele atende. Se o cliente tem diante de si um profissional atencioso, atento, que o respeita como pessoa, que o aceita como ele se mostra, etc., provavelmente os sentimentos de afeição e carinho tornam-se muito naturais, e o surgimento desse afeto não carrega, forçosamente, nenhuma outra "intenção" que não seja a expressão de um reconhecimento pela acolhida e pela postura de respeito e apreço por sua pessoa.
Da mesma forma, a irritação, que surja num contexto de relacionamento terapêutico por parte do cliente, pode ser perfeitamente compreendida, quando eles – terapeuta e cliente – se permitem vivenciar contatos bastante francos e abertos, nos quais as insatisfações e as frustrações experimentadas em alguns momentos tensos, que podem surgir durante o processo terapêutico, tenham espaço para ser  explicitados.
Nas duas situações citadas acima, tanto o "amor" como a "ódio" passam a fazer parte da variedade de sentimentos que podem surgir num encontro entre duas pessoas reais, que se encontram frente a frente.
Ambos os sentimentos serão simplesmente aceitos e buscar-se-á, nos dois casos, a compreensão do que eles possam estar significando para o cliente e para o terapeuta, naquele exato momento, no aqui e no agora daquele processo.
Será tão simples, assim, aceitar o cliente exatamente como ele é? Certamente, não.
O terapeuta, como qualquer ser humano, poderá experimentar essa dificuldade. Entretanto, numa terapia centrada no cliente é desejável que esse profissional tenha desenvolvido, ao máximo, essa capacidade.
Essa busca para se atingir um nível consideravelmente bom de aceitação incondicional, em relação ao nosso cliente, pode parecer, para muitas pessoas, distantes desse enfoque, uma ideia ingênua. Mas, longe disso, a partir da compreensão profunda dos princípios filosóficos que fundamentam a Psicoterapia Centrada no Cliente, da experiência e do treinamento do terapeuta, é possível que esse profissional alcance um nível muito próximo do que se idealiza enquanto capacidade para aceitar o outro, exatamente como o outro é, sem necessitar confrontar a sua realidade com a dele.
Acredito que, do mesmo modo que podemos desenvolver a capacidade de compreensão empática, também, em relação à aceitação incondicional, há possibilidade de essa capacidade ser melhorada numa pessoa, através de uma vivência profunda de relacionamentos humanos. Nesse sentido, no treinamento de futuros terapeutas, faz-se necessária a participação deles em trabalhos de grupo, nos quais experimentem tais contatos e, através deles, comecem a compreender melhor o sentido vivo do que significa o mundo do outro, e as consequências dessa realidade individual na forma de percebê-la.
Como um breve exemplo, lembro-me de uma experiência vivida por mim, em meu consultório, quando estava atendendo uma criança. Ao chegar à porta para convidá-la a entrar, verifiquei que ela estava com o rosto machucado. Na sala de espera, junto a ela, encontravam-se duas outras pessoas. Uma era a minha atendente e a outra, a que acompanhava esse meu jovem cliente. Assim que ele me viu, ainda ali, na sala de espera, começou a explicar que se machucara, pois havia caído de um cavalo, lá na fazenda onde passara o último fim de semana. Ao chegar ao interior da sala de consulta, foi-se apressando em me contar o seguinte: "Vou lhe contar uma estória. O negócio é o seguinte: não foi do cavalo, não. Eu caí foi de uma bicicleta. Não foi na fazenda. Foi lá perto de minha casa. Bati com o nariz no chão. Para você, eu posso contar isso. Lá fora fica chato. Por isso, não contei a verdade. Para você, eu não preciso mentir”.
Considero significativo o fato citado acima. Ele, entre outras coisas, mostra-nos que o cliente pode ser ele mesmo, pode contar as coisas que  julga importantes ou não. Pode contar, falar sobre tudo. Dizer para mim uma série de coisas que são "inverdades" ou "verdades". Sabe que pode falar sobre o que quiser e que não questionarei a veracidade ou a falsidade do que me disser. Isso lhe permite transitar entre os limites de sua "verdade" e da sua "mentira", e poderá optar por entrar em contato com a verdade diante de mim. Não precisa mentir para mim para, através disso, ser aceito.
Ainda como exemplo, posso citar um outro menino que, numa sessão, me falou sobre o barco que o pai dele havia comprado.
- "Era um barco enorme. Muito bonito e tão grande que as paredes de dentro eram feitas com tijolos”. Ao terminar de dizer isso, falou rindo. "Olha só, cara, tô exagerando muito. Que mentira danada essa que te contei. Onde já se viu parede de tijolos num barco. Essa foi demais”. Poder mentir, admitir a mentira, corrigi-la naturalmente, geralmente isto ocorre quando o grau de confiança no outro e a certeza do não julgamento do ouvinte estão presentes.
Como consequência do sentir-se incondicionalmente aceito numa relação terapêutica, o cliente demonstra uma tendência maior para corrigir suas falsas percepções, suas "mentiras", para aprofundar sua autoconfiança e para desenvolver uma aceitação maior de si mesmo.
Tais correções parecem decorrer da menor necessidade de usar lentes de aumento, ou de redução da realidade. Há, progressivamente, uma aproximação bastante mais adequada da realidade. Não se necessita mais fantasiar tanto ou usar máscaras. E, quanto mais ele consegue  compreender-se, mais vai-se aprofundando e encontrando-se com seu eu verdadeiro.
Em decorrência de uma percepção mais realista de si e do mundo ao seu redor, nota-se que vai surgindo um comportamento mais flexível, e o cliente, aos poucos, se distancia do comportamento rígido que adotava até então.
Esse movimento, quando atingido pelo cliente no processo terapêutico, passa a ser – segundo penso – o produto mais significativo do que comumente chamamos de Psicoterapia.
Uma observação vem a calhar. A partir do que foi escrito acima, tudo indica que é, através da qualidade da relação humana, estabelecida entre o terapeuta e o cliente, que o cliente atinge a condição de poder “ver-se" e “aceitar-se". Essa "qualidade" é expressa – em parte – pela presença, no terapeuta, de uma genuína e incondicional aceitação do cliente.
Quando digo genuína, refiro-me a uma característica da pessoa do terapeuta que dificilmente será aprendida. Essa característica não é construída a partir de uma compreensão teórica, intelectual, sobre a importância dela no processo terapêutico. Não se trata de aceitar o outro como se a aceitação fosse uma "técnica", que funciona. A aceitação do cliente precisa ser sentida pelo terapeuta de modo muito verdadeiro e profundo, dentro de si. Aceitar o outro. Entender visceralmente que cada pessoa é um universo à parte e que, como tal, possui uma realidade única. Entender também que o fato de o outro ser um OUTRO faz dele uma pessoa singular, com forma própria de pensar, sentir, perceber...
Não cabe ao terapeuta criar um mundo para o seu cliente, mas, tão somente, ajudá-lo a entender o seu próprio mundo, de tal modo que  consiga ser ele próprio da forma mais plena possível.
O cliente não cabe no mundo do terapeuta, como este não cabe no daquele.
O que o cliente nos pede é uma colaboração, para que, andando com ele, no mundo dele, possamos ajudá-lo a perceber, com mais clareza, os elementos que compõem seu universo.
Somos apenas um convidado no mundo dele, sem licença, nem autorização para modificá-lo, mas somente para o explorar. O mundo é dele e, sobre esse mundo, ele tem todos os direitos.

CONGRUÊNCIA
Por congruência, ou autenticidade, pretendemos denominar uma condição fundamental do relacionamento terapêutico, dentro de uma Psicoterapia Centrada no Cliente.
O processo terapêutico é colocado em marcha, à medida que as três condições, que descrevemos anteriormente, estejam presentes, mas, dentre elas, a mais significativa (como nos têm mostrado as pesquisas) é a congruência.
Significa que o terapeuta seja transparente para seu cliente.
Acredito que muitos poderão ficar em dúvida com relação à afirmativa anterior: ser transparente...
Ser transparente, como queremos afirmar aqui, significa que o terapeuta não use, ou não sinta necessidade de usar, ou não precise usar  máscaras, posturas técnicas e/ou uma série de artifícios para manter contato com o cliente.
O psicólogo é um ser humano e, como tal, tem suas necessidades, fraquezas, pontos altos e baixos. Ele é tudo isso e não precisa negar tal coisa. Ele é o que é. Não precisa esconder-se, deixar de ser "gente" para se tornar um "terapeuta".
Ama, odeia, sofre, inquieta-se, maravilha-se, aprecia, nega, julga, gosta de ser gostado... Não precisa ser visto pelo cliente como um super-homem, como alguém que está acima de todas as coisas, como uma incógnita... Não! Ele é uma pessoa.
Minha experiência veio-me mostrar que, justamente pelo fato de as pessoas me conhecerem como ser humano, como pessoa, vêm ao meu consultório.
Acho que, nesse aspecto, meu posicionamento metodológico, em relação ao encontro terapêutico, difere bastante dos de outros profissionais.
Para alguns, o que disse anteriormente talvez seja considerado inadmissível.
Acredito que esse meu posicionamento talvez seja "radical", quando leva ao extremo uma característica da Psicoterapia Centrada no Cliente: este enfoque terapêutico é fundamentalmente uma teoria das relações humanas.
Tenho observado que o cliente, ao iniciar a sua terapia, via de regra, adota uma atitude de expectativa e "desconfiança" em relação ao seu terapeuta.
Falo desconfiança entre aspas, pois, na realidade, esta palavra, aqui usada, não corresponde exatamente ao que normalmente se entende por ela, fora da relação terapeuta-cliente.
O cliente confia no profissional (quase sempre) e (muito comumente) desconfia do ser humano que está à sua frente.
No decorrer dos encontros terapêuticos, gradativamente, passa a confiar mais no terapeuta como pessoa e, quase sempre, começa a sentir uma afeição pelo profissional.
Quando essa afeição e essa confiança vão aumentando, dentro de um ambiente no qual o terapeuta apresenta as condições necessárias, que mencionamos acima, para pôr em andamento o processo terapêutico, o cliente, cada vez mais, é capaz de expressar seus sentimentos com menos barreiras e explorar mais o seu mundo e sua relação com ele.
Ora, se um dos elementos básicos para a ocorrência de uma modificação na autoimagem é poder defrontá-la tal como ela realmente é, com o mínimo de distorções, e, se uma pessoa que já não precise usar máscaras junto ao terapeuta, por já o sentir como alguém em quem ele confia e por quem experimente afeto, poderíamos supor que, se duas pessoas já forem realmente amigas, estariam em condições favoráveis para iniciar concretamente o processo terapêutico.
Assim sendo, na prática clínica, tenho observado que pessoas que atendi, que eram minhas amigas, colegas, conhecidas, se beneficiavam tanto, ou mais, quanto as que jamais haviam, antes, tido qualquer tipo de relacionamento comigo.
Ainda sobre este ponto, quero frisar um fator que, provavelmente, seja muito importante para que isso ocorra – não vejo diferença significativa entre minhas atitudes dentro ou fora do gabinete de entrevistas.
Percebo-me sendo eu mesmo, a cada momento com meu cliente. Existe, apenas, uma diferença: na hora da consulta é ele que "está com a palavra", é o "tema dele" que importa, e fico atento aos "problemas" que ELE me traz. Lá fora é pouco provável que eles tratem dos mesmos assuntos que trazem para as consultas, a não ser em situações muito especiais, de urgência e tensão elevada, associadas a alguma experiência que esteja ocorrendo naquele momento.
Uma pessoa, minha amiga, não me estranharia ao entrar no meu consultório. Não me veria com atitudes diferentes das que normalmente tenho, a não ser nas situações em que, por causa do grau de emoção que ele imprime à sua conversa, fico mais fortemente focado no seu discurso.
Para mim, o tema trazido pelo cliente é que direciona o encontro terapêutico, e é a minha atitude que contribuirá para a ocorrência do desencadeamento, dentro dele, do seu processo de crescimento.
Dizer que um amigo possa ser terapeuta de um outro amigo poderá soar estranho para muitos, mas, se considerarmos a psicoterapia como um processo de relacionamento humano construtivo, essa afirmação provavelmente não soará mais dessa forma.
Se um relacionamento humano puder dar-se neste nível, concreto, real, não modificado por artifícios ou rótulos profissionais, será uma fonte inesgotável para que as pessoas, engajadas nele, possam tornar-se muito mais humanas.
A aceitação da Pessoa em relação a si mesma só vai ocorrer na medida em que, nesse processo de relacionamento, ela possa, também, ver o outro como um ser humano. Em outras palavras, se ela vir o profissional apenas como psicólogo, como um técnico, como aquele que sabe teorias (e essa é uma atitude inicial de quase todos os clientes), obviamente, começará a imaginar que ela é aceita e compreendida, apenas porque o profissional está usando uma teoria ou uma técnica.
Quando o terapeuta é visto apenas como um profissional que é pago para ouvir, compreender e aceitar, o processo terapêutico ainda está no seu início, ainda não chegou ao máximo do seu potencial de ajuda ao cliente.
Como escrevi, linhas atrás, é muito comum, no início de uma terapia, o cliente ver o terapeuta apenas como um profissional. Chega até nós e  sente-se como alguém que "compra" os 50 minutos de uma outra pessoa, que poderá ajudá-la a resolver seu problema.
O terapeuta, nessa fase da terapia, é, para o cliente, um técnico que estudou para ser um psicoterapeuta, aquele que conhece a mente humana e, portanto, sabe as razões de suas dificuldades psíquicas. O psicólogo, portanto, é uma pessoa paga para ouvi-lo. Porém, apenas quando uma dimensão realmente humana surge nesse relacionamento, só quando o cliente deixa de ver o profissional-psicólogo e passa a ver o psicólogo-pessoa, acredito que se inicia uma fase importante do processo terapêutico: o encontro real entre duas pessoas reais.
Se, nas linhas anteriores, tentei expor o que penso sobre as atitudes do terapeuta, isso não quer dizer que julgue ser fácil viver congruentemente uma relação psicoterápica. Rogers nos fala que congruência
“(...) envolve autoconsciência, ou seja, isto é, não somente os sentimentos do terapeuta são acessíveis a ele próprio, como ele pode viver e ver estes sentimentos nesse relacionamento. 
O terapeuta pode se sentir chateado, aborrecido, inquieto junto ao seu cliente, mas é importante que ele não negue esses sentimentos em nome de um papel profissional estereotipado. Por outro lado, muitas pessoas pensam assim: ‘psicólogo não pode se chatear com seu cliente. Tem que ser amável, compreensivo, receptivo, etc.’” 
Quando tentamos negar, para nós mesmos, esses sentimentos "negativos" em relação ao cliente, não nos permitimos experimentar, plenamente, o nosso relacionamento com ele.
Por outro lado, quando podemos admitir esses sentimentos como nossos e aceitá-los dentro de nós mesmos, não necessitamos lançá-los sobre o cliente.
O cliente pode perceber no terapeuta uma expressão de desagrado, de chateação e o psicólogo não precisa negar este fato ao cliente, desde que possa deixar bem claro que este sentimento está ocorrendo dentro dele – terapeuta – e seria importante que eles (terapeuta e cliente) chegassem a sentir, o mais claramente possível, o que está acontecendo naquela relação, naquele exato momento.
Conforme afirma Rogers,
“Ser real é reduzir barreiras. O cliente agora pode ser mais congruente, porque o terapeuta teve a coragem de ser real com ele. É um relacionamento pessoa a pessoa, entre dois seres humanos imperfeitos. Isso não quer dizer que o terapeuta vá por a carga de seus problemas no cliente, como também qualquer coisa que chegue à sua consciência deva ser lançada sobre o cliente. Significa, sim, basicamente, evitar que o terapeuta se esconda atrás de uma máscara de profissionalismo.”
Como afirma Kinget G.M. (1971, vol. 1, p.11):
“Para que a ajuda seja eficaz o terapeuta não pode contentar-se em atuar COMO SE colocasse no ponto de vista desse; COMO SE abstivesse de julgar; COMO SE aceitasse o cliente tal como é; COMO SE desejasse que o cliente tomasse a direção da entrevista, etc. É preciso que, de um modo geral, experimente o que manifesta.”
E, mais à frente:
“Pois a ausência da autenticidade conduz a uma deterioração da relação, o que a faz não só ineficaz, se não prejudicial.”
Maiores detalhes sobre este tema poderão ser encontrados em Kinget (1971), capítulo V. Recomendamos esse capítulo por ele levantar uma série de questões relativas ao terapeuta e ao seu papel numa terapia relacional (como é caracterizada a PCC).
Para consolidar mais o que expus, neste capítulo, sobre as atitudes do terapeuta, seria interessante que o leitor procurasse, na obra de Kinget, citada acima, o capítulo VI, A Relação.

5- O PROCESSO TERAPÊUTICO

Quando as condições que descrevemos no capítulo anterior estão presentes no relacionamento terapeuta/cliente, surge a oportunidade de ocorrer uma situação ímpar entre duas pessoas. Ela pode ser denominada "situação terapêutica".
Assim, quando o relacionamento se estrutura como uma "situação terapêutica", é colocado em marcha um processo de "mudança terapêutica".
Se observarmos esse processo de fora (simplesmente como um observador), nós o veremos como uma sequência de fenômenos que caracterizam bem o que conceituamos como um "relacionamento psicoterápico".
Por outro lado, se o cliente nos puder informar o que ocorre dentro dele durante aquele processo, poderemos conhecer o modo como ele o percebe.
Poderíamos dizer que a atitude do terapeuta DETERMINA uma outra por parte do cliente. A atitude dele parece-nos um reflexo gradativo de toda uma postura filosófica do terapeuta, principalmente no que se refere à aceitação e ao respeito pelo outro e por si mesmo.
Na terapia rogeriana, é desejável que o terapeuta seja uma pessoa que escuta o cliente com tamanho respeito e aceitação, que tais atitudes se tornem, a cada novo instante da relação, mais indubitáveis.
Ao expressar seus pensamentos e sentimentos diante de alguém, que, claramente, o respeita e o aceita, o cliente, progressivamente, torna-se mais capaz de ouvir a si mesmo.
As comunicações que partem do mais íntimo de si passam, gradativamente, a ser mais reconhecíveis.  Seu ódio, seus medos, seus afetos passam a ser verbalizados (pois, agora, ele sente que os pode expressar sem receio). Talvez esses mesmos sentimentos, até então, lhe tenham sempre  soado como estranhos, terríveis e desorganizados, e, por essa razão, não puderam ser admitidos na consciência.
No início do tratamento, eles ainda não são capazes de simbolizar tais sentimentos. Ainda lhe parecem perigosos, principalmente para serem compartilhados com outra pessoa. Esperam uma reprovação, um julgamento, uma incompreensão. Só, com o tempo (e ele é variável), os clientes começam a CONFIAR no terapeuta, pois passam a perceber nele as condições que descrevemos acima, e, principalmente, notam que elas não existem como modelos de atitudes adotados pelo psicólogo, mas, sim, como algo que lhe é realmente próprio.
O fato de se sentir aceito, não julgado, compreendido por uma pessoa congruente parece dar ao cliente a certeza de que se poderá descobrir, tirar a fachada que comumente usa no seu contato com as pessoas, e ser ele mesmo.
“Como se revela estes aspectos escondidos e terríveis de si mesmo, como ele é, e, dessa forma, se prepara para caminhar para adiante no processo de vir a ser ele mesmo.”
Torna-se mais aberto , menos defensivo.
 “Sente-se mais livre para mudar e crescer tomando as direções que são naturais para o
  amadurecimento do organismo humano.”

UM PROCESSO CONTÍNUO
Poderá parecer ao iniciante que o processo, que descrevemos acima, se assemelhe a um bloco, a uma questão de tudo ou nada, que ocorre sem gradações. Em outras palavras, se as condições propostas para pôr em marcha o processo terapêutico existirem, então ocorrerá a mudança, o amadurecimento, etc. Poderíamos dizer que essa seria uma visão simplista do processo. Na realidade, ele se constitui como um processo contínuo e que pode, para fins didáticos, ser dividido em sete estágios distintos. Por outro lado, esses estágios não são percebidos de forma absoluta durante o processo total. Diríamos que – de certa forma – se trata de uma escala.
O cliente, quando chega à terapia, encontra-se num dos pontos desse contínuo e tende a mudar durante o processo, adotando caminhos que o levarão a um estágio mais elaborado e mais positivo desta escala. É como se (caso a terapia tenha êxito) ele se encaminhasse em direção ao  ponto final da escala.
Rogers nos diz que, provavelmente, nenhum cliente caminha do estágio 1 até o 7, mas este critério numérico é um meio fecundo de verificação do processo que ocorre na terapia.
Cada estágio representa um nível de elaboração das vivências do cliente, da capacidade de autojulgamento, de aceitação de si e da realidade que o envolve.
Quanto mais o cliente for capaz de se ver, de se perceber, de se aceitar, de não distorcer sua realidade, etc., mais alto estaria na escala sobre a qual nos referimos. Corresponde, pois, à definição de funcionamento ótimo da personalidade, proposto por Rogers.
Em cada entrevista, podemos verificar diversos graus da escala ali presentes. Ela vai desde a rigidez de atitudes e percepções, até a  maleabilidade e a flexibilidade relativamente a todos esses aspectos. Vai na direção da experienciação imediata, do estático para o dinâmico, da rigidez para a fluidez.
Tentaremos, agora, descrever, ainda que sumariamente, cada um desses estágios, através de breves exemplos. Uma visão mais completa poderá ser vista em (ROGERS, Tornar-se Pessoa, 1970, p. 114).
ESTÁGIO 1
“Pois bem, dir-lhe-ei que sempre me pareceu um bocado idiota falar de si próprio, a não ser em caso de extrema necessidade (Tornar-se Pessoa, p. 114).”
O indivíduo está rigidamente desestruturado nos conceitos que ele forma sobre si mesmo e seu mundo.

ESTÁGIO 2
“Eu quero aprender, mais fico a olhar para a mesma página durante uma hora.”

ESTÁGIO 3
“Esforcei-me imenso por ser perfeito para ela – entusiasta, amigável, inteligente, falador – porque quero que ele goste de mim.”
ESTÁGIO 4
“Fico desanimado por me sentir dependente, porque isso quer dizer que não acredito em mim mesmo.”
ESTÁGIO 5
“Eu esperava ser rejeitado... estou sempre à espera disso... tenho até a impressão de sentir a mesma coisa consigo... Custa-me falar disso, porque queria ser o melhor que posso consigo.”
“A verdade é que eu não sou o indivíduo delicado e tolerante que procuro mostrar que sou. Há coisas que me irritam. Sinto-me ríspido para com as pessoas e sinto-me por vezes egoísta; e não sei por que é que havia de pretender que não sou assim.”
ESTÁGIO-6
Exemplo: O paciente, um rapaz, exprimira o desejo de que os seus pais morressem ou desaparecessem...
“É um pouco como se eu quisesse vê-los desaparecer, como se desejasse que eles nunca tivessem existido. E tenho de tal maneira vergonha de mim próprio que, quando eles me chamam, eu vou logo! A sua presença é ainda muito forte. Não sei. ‘É qualquer coisa de visceral – quase que posso sentir isso dentro de mim’(começa a gesticular puxando o umbigo, com se quisesse se despedaçar).”
O terapeuta: Eles realmente prendem-no pelo cordão umbilical.
O paciente: Tem graça como é realmente isso que eu sinto... É como que uma sensação de
                  queimadura, mais ou menos, e quando eles dizem alguma coisa que provoca em
                  mim ansiedade, sinto isso exatamente aqui (apontando). Nunca pensei nisso
                   assim tão completamente.
O terapeuta: Tudo se passa como se, quando há uma perturbação nas suas relações, tivesse
                     precisamente a impressão de uma tensão no umbigo.
O paciente: Sim, é como se fosse aqui. E é tão difícil definir a sensação que aqui tenho.
                   Nesse caso, o indivíduo está a viver subjetivamente o sentimento da
                  dependência  em relação aos seus pais. Todavia, seria bastante inexato afirmar
                   que ele se apercebe desse sentimento. Está NELE, experimentando-o como uma
                  tensão no seu cordão umbilical.

ESTÁGIO 7

“Quando estou a trabalhar numa ideia, esta se desenvolve totalmente. Tal como a imagem latente que aparece quando se revela uma fotografia. Não há um ponto de partida para chegar a um outro ponto, mas espalha-se por toda a superfície. De início, tudo o que se vê é um vago contorno e pergunta-se o que será que se vai passar; e, então, gradualmente, vai aparecendo alguma coisa e, de repente, tudo se torna claro.
Ocorre muito raramente, se é que ocorre alguma vez, que um paciente que viveu plenamente a primeira fase chegue a um ponto em que viva plenamente a sétima fase. Se isto acontecer, serão necessários alguns anos” (ROGERS, Tornar-se Pessoa, p. 137). 
Tenho certeza de que os exemplos dados, referentes aos sete estágios do processo, são insuficientes para dar ao leitor uma ideia deste tema. Por isso, relembro, mais uma vez, que se torna altamente indispensável  a consulta ao livro Tornar-se Pessoa, p. 114 e seguintes, para que a falha deste documento, que ora lhes apresento, seja minimizada.

6- A TEORIA DA TERAPIA
(Tal como se desenvolveu no enfoque centrado na pessoa.)
A Terapia Centrada no Cliente, como foi desenvolvida por Rogers, surgiu da vivência clínica.
Alguns documentos, redigidos pelo próprio Rogers, levam-nos a crer que, no início de suas atividades clínicas, ele atuava de forma bem centrada no terapeuta
Sua formação inicial o levava ao diagnóstico meticuloso, ao aconselhamento, à interpretação, enfim, a agir de forma muito diferente daquela que depois nos passou a apresentar. 
Foram, justamente, o contato com o cliente e a sistemática observação sobre o processo posto em marcha naqueles primeiros relacionamentos terapêuticos que levaram Rogers a questionar a forma como agia junto a seus clientes.
Sua formulação mais acabada sobre tais observações deu-se no livro Terapia Centrada no Cliente.
A partir dessa formulação, muitas outras observações foram feitas e muitas hipóteses novas foram levantadas, surgindo, daí, uma série de modificações (aprimoramentos) do que já havia sido apresentado nas suas obras anteriores.
Pesquisas novas e em outros campos foram realizadas.
Outros tipos de clientes foram atendidos, e isso ampliou a consistência das hipóteses lançadas até ali, e abriu caminho para outras formulações teóricas e práticas.
Poderíamos dizer que houve quatro grandes apresentações da teoria rogeriana, durante três décadas:
A primeira -
Uma teoria simples - Counseling and Psychotherapy , Rogers, 1942
Nessa obra, traduzida pela Editora Moraes (1974), com o título Psicoterapia e Consulta Psicológica, o leitor já poderá observar uma série de ideias que foram ali lançadas sobre o conceito de psicoterapia, muitas das quais ainda permanecem nos mais recentes escritos sobre a PCC. Todavia, a apresentação delas ainda era bastante incompleta e, inclusive, quem somente conhecer esta obra não poderá fazer uma ideia do quanto muito do que ali está relatado se distancia dos mais recentes trabalhos sobre a teoria rogeriana.
A segunda –
Uma teoria bem elaborada - Client Centered Psychoterapy, Rogers, 1951.
Nesse ano, Rogers apresentou seu livro Psicoterapia Centrada no Cliente, no qual já se sente uma preocupação não só em sistematizar suas observações, como também em demonstrar, através de dados de pesquisa, o grau de validade de suas hipóteses básicas. Além disso, apresentou, também ali, uma aplicabilidade de suas ideias em diferentes campos, como aprendizagem, grupos, etc.
A terceira-
Uma formulação ainda mais elaborada, rigorosa e formal: On Becoming a Person, Rogers, 1959.
Progredindo nos experimentos sobre as hipóteses básicas, Rogers nos apresentou suas ideias de forma ainda mais elaborada, rigorosa e formal.
Embora esta obra tenha tido uma aceitação pelo público leigo, traz, em seu bojo, um manancial de informações que vão além do que muitos viram nela.
A Quarta –
Trabalhos com psicóticos: Person To Person, Rogers e Colaboradores, 1967.
A partir de trabalhos com psicóticos, mais especificamente com esquizofrênicos, Rogers e vários colaboradores publicaram uma obra de grande importância, que foi traduzida para o português com o título De Pessoa Para Pessoa, São Paulo: Ed. Livraria Pioneira Editora, 1976.
Notamos, claramente, por esses quatro itens acima mencionados, uma evolução da própria teoria, que partiu de uma enunciação simples e chegou a uma formulação bastante complexa, com uma população que constituiu uma prova de fogo para os mais refinados métodos terapêuticos.
Observa-se, nas apresentações desta terapia, que ela se propôs sempre a ser mais uma teoria do processo de mudança, uma teoria da terapia, do que uma teoria da personalidade. Esta última foi muito mais uma consequência dos achados na busca de uma teoria da terapia e do processo da mudança.
Constitui-se, dessa maneira, mais uma proposição de um processo do que a de um desenvolvimento. É mais uma teoria de campo do que uma teoria genética com a de Freud.
Com o propósito de compreendê-la de uma forma mais precisa, tentaremos definir, o mais claro que pudermos, alguns conceitos que consideramos básicos.

CONCEITOS BÁSICOS
TENDÊNCIA A ATUALIZAÇÃO
Com o contato com o cliente, por anos a fio, chegou-se a confiar, cada vez mais, num conceito sobre a natureza do organismo humano.
“Criou-se uma hipótese que o homem, como todos os outros organismos vivos, planta ou animal, possui uma tendência, que lhe é própria, para desenvolver todas as suas capacidades no sentido que o leva a manter e enriquecer o organismo.
Esta é uma tendência que, quando livre para operar, movimenta o indivíduo na direção que denominamos de crescimento, maturidade, vida plena.”
Muitos fatos justificam a crença nesta tendência.
Em maio de 1975, a TV GLOBO-BR apresentou um documentário sobre os Tassadei (povo que mora em cavernas, no extremo sul das Filipinas) e, em março de 1976, um outro, sobre os Pigmeus (uma raça que habita as florestas africanas).
Esses povos nos dão um exemplo vivo desta tendência, principalmente no que se refere à busca de um estágio de plenitude psíquica e harmonia com o meio ambiente.
Um outro exemplo, bastante citado pelo próprio Rogers, refere-se à criança e à sua luta para conseguir andar.
Esse autor nos lembra que – a despeito dos tombos e dos sofrimentos deles decorrentes – a criança se põe de pé e anda, embora o número de obstáculos que enfrenta seja grande.
Este conceito é essencial e pode ser considerado a espinha dorsal desse enfoque teórico. Ele fundamenta o posicionamento típico do terapeuta rogeriano. É essa convicção que o leva a agir de forma não intervencionista junto ao cliente, e que também lhe permite sentir a limitação do seu papel na ajuda ao "outro".
Além disso, é importante lembrar que o meio (físico ou psicológico), no qual o indivíduo se desenvolve, poderá criar inúmeras condições para que esta tendência seja ativada ou bloqueada. Neste sentido, o ser humano não difere dos outros organismos vivos, exceto na sua complexidade existencial.

O CONCEITO DE SELF
Observou-se que clientes em terapia frequentemente expressavam seus problemas e seus progressos em termos de self. Gradativamente, a importância crucial do self e suas qualidades de mudanças tornaram-se evidentes.
Como defini-lo?
A criança torna-se consciente de experiências que percebe como sendo "mim". Lentamente, um autoconceito é formado.
“O self pode ser considerado como uma gestalt organizada, consistente, composta de percepções do ‘mim’ do ‘eu’ e as percepções do relacionamento deste ‘eu’ com o mundo exterior e os outros. Inclui os valores ligados a essas percepções.
É uma gestalt modificável e fluida, mas em alguns dados momentos é uma entidade toscamente uniforme mensurável, por exemplo, através de uma ‘Q-sort1’. Está disponível à consciência, mas não necessariamente NA consciência. É um ponto de referência constante para o indivíduo, o qual age em termos dele.”
EXPERIENCIAÇÃO
A experienciação é um importante agente de mudança. Segundo Gendlin (1967):
 “É um processo somático sentido dentro do indivíduo, a maneira e o significado do qual são afetados
    pela interação.”
Quando o cliente se expressa, há, no terapeuta, uma experienciação que consiste na compreensão empática daquilo que ele quer dar a entender. Poderíamos, por outro lado, supor que a experienciação do terapeuta só ocorreria quando houvesse verbalização por parte do cliente. Na realidade, o que ocorre não é isso.
“Quando o cliente não se expressa, a experienciação do terapeuta não é vazia, pois, a cada momento, ocorrem vários sentimentos dentro dele. Além disso, o que é importante, a maioria desses sentimentos se refere àquele determinado momento do cliente. Assim sendo, mesmo diante do silêncio, eu ainda posso tentar compreender o que está ocorrendo no outro, principalmente se consigo verbalizar tais sentimentos, ou, melhor ainda, comunicá-los ao cliente sem tentar impô-los.”
É o que estou sentindo em meu contato com ele, naquele momento. Não se trata de um julgamento, mas de algo que sinto dentro de mim e que proponho (se achar sinceramente válido) transmitir ao cliente. A experienciação é um processo interno, amplo, do qual podem emergir verbalizações.
Ele se liga à compreensão de sentimentos (o que está implícito no relacionamento entre duas pessoas, num dado instante) em lugar de se ligar às palavras ditas naquele mesmo momento (o que está explícito no relacionamento).

INCONGRUÊNCIA
Observamos um fato muito comum nos contatos terapêuticos. De início, o cliente tenta mostrar-se para seu psicólogo como alguém que sustenta uma imagem "coerente" de si mesmo. Há como que uma tentativa de se mostrar muito bem definido diante de suas dificuldades. Podemos exemplificar este fato da seguinte maneira:
“Bem, eu vim aqui falar com o senhor (diz o cliente), porque sinto que as pessoas não me aceitam, que minha família me pressiona muito, que, às vezes, me sinto muito descontente com a vida que levo.”
A partir daí, parece que o restante do discurso do cliente tende a se fazer conforme as "queixas" iniciais.
Mais adiante, começa a perceber que nos transmite algo como:
“Às vezes sinto momentos de grande felicidade, tenho amigos que, de fato, me apreciam e me aceitam, minha família, às vezes, me pressiona muito e chego mesmo a sentir que são liberais e me estimulam bastante para que me liberte deles.”
É frequente o surgimento da percepção dessas incoerências por parte do cliente. Algumas podem até ser simbolizadas, por não trazerem angústia elevada, e o cliente começa a ampliar o campo de percepção sobre si mesmo.
Outras constatações de incongruências não são tão facilmente aceitas pelo cliente, pois, se assim ocorresse, precisaria haver uma reformulação profunda na sua autoimagem. Por exemplo, alguns valores são bastante sedimentados durante o processo educativo. Entre eles, ser bom filho, amar os pais, ser boa esposa, boa mãe, etc. parecem "valorizar" as pessoas que se sentem possuidoras dessas características. Assim sendo, quando um cliente inicia uma psicoterapia parece, para ele, difícil colocar (sem sentimento de culpa) que odeia seu pai ou odeia sua mãe, ou seu irmão... Também é difícil dizer que não é uma boa esposa, que não suporta o filho, etc.
Obviamente, não queremos dizer que o cliente nunca fale, de início, sobre esses fatos. Queremos apenas mostra que falar sobre eles é difícil, principalmente se estiverem percebendo que terão que se mostrar de forma oposta àquela que normalmente é considerada como valorosa, boa, certa, normal, etc.
Observamos, então, uma tentativa constante de negar as afirmações que fizeram junto ao terapeuta e a forma comum disso ocorrer é: O cliente diz: "Odeio meus pais!" Logo depois, surge sua tentativa de negar o que acabara de dizer, declarando: "Bem, na realidade a coisa não é bem assim... Não posso falar assim deles. Eles não merecem. Afinal são meus pais!”
Dois pontos precisam ser destacados aqui:
O self: Eu e Meu
EU: filha(o) má(mau)
MEU: meus pais são odiáveis.
Tudo que se refere ao "eu" ou ao "meu" precisa funcionar no indivíduo de modo a manter uma coerência. Dessa forma, a pessoa, que se considera um "bom filho", não pode admitir uma autopercepção que o leve a se sentir um "mau filho". Por outro lado, é também difícil admitir ter "pais odiáveis", na medida que ter pais assim significa, ao mesmo tempo, ter que reconhecer coisas ruins em si mesmo, ou seja, MEUS pais são odiáveis.
Concluindo, a percepção correta do EU e do MEU acontece somente quando os adjetivos que o seguem forem compatíveis com valores considerados aceitáveis para o indivíduo. As características referentes ao EU e ou MEU, contrários aos valores aceitos pelo indivíduo, tentam  ser negados à consciência. Apenas quando esses valores perdem seu significado (bom-mau, certo-errado), a pessoa pode admitir uma percepção mais ampla de si mesma, que englobe tudo aquilo que ela é realmente.
Por outro lado, quanto mais a pessoa nega sua globalidade e, com isso, passa a negar seus aspectos socialmente não aceitos, ou seja, aqueles que ela mesma reprova em si, mais se encontra, a nível de conduta, um certo grau de incongruência. Nota-se isso facilmente, quando alguém diz ser ou pensar de determinada forma e suas ações espontâneas apontam numa direção oposta.
Para obter maiores detalhes sobre o que acabamos de afirmar, consulte as obras mencionadas nas referências bibliográficas (Parte III), principalmente H. Justo (1973), Rogers, C. R. (OBP. p. 255, Ed.Moraes, 19 0).
Um alto grau de incongruência leva a uma bifurcação e a uma confusão no papel da tendência atualizante.
Há uma direção que é a de manter a autoimagem e outra de melhorá-la.
Surge daí um grau elevado de conflito, já que, para tomar consciência "plena" de si mesmo, implicaria em ter que admitir partes "indesejáveis" em si mesmo.

 7- TEORIA DAS CONDIÇÕES PARA A TERAPIA
Para que a mudança terapêutica ocorra, torna-se necessária a existência de certas condições, para que: 
- o cliente sinta uma vaga incongruência e, em decorrência dela, também um certo
   grau de ansiedade;
-  terapeuta se apresente congruente durante o relacionamento;
- o terapeuta esteja experimentando uma consideração positiva incondicional em
    relação a  seu  cliente;
- o terapeuta esteja experienciando uma compreensão sensível e profunda do marco
   Interno de referência do cliente, o universo das realidades internas tal como
   são percebidas por ele  pelo cliente;
- o cliente perceba, pelo menos em grau suficiente, a genuinidade, a consideração e
   a compreensão do terapeuta. Sua percepção disso é baseada apenas parcialmente nas
   palavras do terapeuta e, simples e frequentemente, através de outras fontes NÃO
   VERBAIS.
Como vimos, não é muito extensa a lista das condições para a terapia. Por outro lado, indiscutivelmente, ela implica num processo altamente complexo.
A autenticidade, a consideração positiva, a empatia e sua comunicação ao cliente são fatores imprescindíveis no relacionamento terapêutico, na Terapia Centrada no Cliente.
Chegar a possuir tais características em grau razoável é sempre uma meta, mesmo para os terapeutas mais experientes neste enfoque.

O PROCESSO DA TERAPIA
Quando as condições, que descrevemos linhas atrás, estão presentes e permanecem no relacionamento terapêutico, um processo é colocado em andamento.
Poderíamos fazer a seguinte afirmação:
- "SE as condições (tais como foram descritas) existirem, ENTÃO se seguirá a elas um processo".
Observamos, em nossos clientes, que, quanto mais lhes dermos uma atmosfera terapêutica, tal como foi descrito no tópico anterior, ocorrerá também maior movimento em direção ao que denominamos, em nossa teoria, de melhora psicológica.
Tentaremos dar, a seguir, uma ideia do que acontece durante a terapia.
O cliente, ao iniciar seu atendimento, geralmente demonstra uma "fachada". Seu discurso está ligado diretamente à imagem que faz de si mesmo, ou àquela que os outros lhe dão. Os fatos descritos por ele têm um tom de impessoalidade, e o que nos conta parece referir-se a uma terceira pessoa. Quase sempre os problemas que traz dizem respeito aos outros, que o cercam.
Não queremos, com isso, afirmar que ele "nunca fala de si mesmo". Não! Ele fala de si, mas suas verbalizações carregam distorções da realidade, que ele mesmo vivencia. Por exemplo:
“Eu vim aqui, porque não consigo viver bem com minha família. Eu me considero implicante e exigente demais. Tudo que eles dizem para mim me atinge bastante. Sou muito dependente. Eles são severos comigo. Mas eu gosto deles, eu apenas não sei como lidar com minha gente.”
Bem, esse é um dos inícios. A variedade deles é enorme. Entretanto, há quase uma constante na maioria dos casos. Ela se refere a uma "queixa" de si mesmo e dos outros.
No decorrer dos encontros terapêuticos, os temas das sessões vão-se modificando, e surge uma crescente liberdade de expressão de sentimentos, os quais começam, gradativamente, a ganhar um tom pessoal, um significado pessoal. Não só seu discurso se torna mais complexo, mais profundo, mas sua postura física, seus gestos, suas mímicas acompanham o crescente "explorar-se" do cliente.
Aos poucos, as reflexões que fazem sobre "seus problemas" adquirem características novas. Há uma crescente abertura para "compreender" o que se passa consigo mesmo. Percebem que a "queixa" inicial, seu problema principal (aquele que o trouxe às consultas) nada mais é do que uma parcela ínfima de seu universo psíquico, e que ela (a queixa) se torna, apenas, a resultante de inúmeros vetores desconhecidos.
No caso que citamos acima, o cliente começa a perceber o sentido de sua "dependência", do seu "gostar deles", do "não saber lidar com sua gente", do "não conseguir viver bem com sua família", do seu "considerar-se implicante e exigente demais". Ele começa a demonstrar suas verdadeiras mágoas, seus medos, suas alegrias, seus amores. Emociona-se, fica tranquilo, treme de ódio, chora... Passa a ser ele mesmo, sem precisar negar o que sente, nem o que é. Sua percepção do problema passa a ser mais correta e menos limitada ou tendenciosa. Passa, também, a perceber os sentimentos mais verdadeiros, que estão em jogo no seu contato com as pessoas e consigo mesmo. Pode passar a se criticar e a se elogiar, e faz o mesmo em relação às pessoas que o cercam. Tudo isso vai acontecendo de modo espontâneo, natural. Nessa evolução, o cliente não precisa mais ter, de si, nem dos outros, uma imagem preconceituosa. Começa a perceber suas reais limitações e suas virtudes mais genuínas. Suas experiências, boas ou más, são mais e mais simbolizadas corretamente na consciência. Percebe, pouco a pouco, suas incongruências, ou seja, as discrepâncias entre o que diz ser e o que demonstra realmente ser. Vejamos.
- Inicialmente:
 “Eu os adoro. São meus pais. Sinto ódio mortal das pessoas que me tiram a liberdade. Meus pais são assim. Não posso ter ódio deles porque, afinal de contas, são meus pais!"
- No final, pode dizer:
“Mesmo sendo meus pais, reconheço que às vezes, quando eles me tiram a liberdade, chego a sentir ódio deles.”
No decorrer do processo, a sua autoimagem se reorganiza para assimilar essas experiências novas, que, até então, tinham sido negadas à sua consciência.
Inicia-se um mecanismo de flexibilidade maior na sua maneira de perceber a realidade. Não ocorre mais, ou passa a ser bem menor, o radicalismo inicial:
“Sou dependente. Sou impulsivo. Sou intolerante. Amo as pessoas. Adoro meus pais. Vejo-me como uma pessoa má. Sou infeliz. As pessoas não gostam de mim. Sou um péssimo aluno.”
No decorrer do processo, podem também admitir:
 “Sou independente em muitas ocasiões. Às vezes, percebo que tenho um controle muito bom sobre minhas emoções, mas ele às vezes falha. Em algumas situações, chego a odiar as pessoas. Sinto que nem sempre consigo ter sentimentos de amor por meus pais. Acredito ser uma pessoa com defeitos, mas não posso me considerar uma pessoa má. Posso, por tudo que lhe falei, me considerar alguém que tem momentos de felicidade. Em muitas ocasiões, reconheço que coisas que faço levam as pessoas a ficarem magoadas comigo, a não gostarem de mim. Mas não posso dizer que as pessoas...”
Seria interessante o leitor complementar este tópico, recorrendo à obra Tornar-se Pessoa (ROGERS, C. R., Moraes Editores,1970, terceira parte, Capítulo V).

TEORIA DAS MUDANÇAS NA PERSONALIDADE E NO COMPORTAMENTO
Antes de iniciarmos este tópico, seria interessante falar um pouco sobre o que consideramos "mudança".
Quase sempre, o cliente, ao iniciar a terapia, imagina o que acontecerá com ele através dos seus encontros com o psicoterapeuta. Não raramente, estabelece uma espécie de "ponto de chegada" a ser atingido no fim do tratamento.
- Alguns chegam a "se ver" concluindo a terapia, e "sendo outra pessoa".
- Outros, como já aconteceu com alguns clientes meus, chegam a falar coisas do tipo:
- "Bem, meu problema é o seguinte: (aí descreve sua queixa principal)".
Depois de me falar sobre o que o aflige, pergunta-me:
- "Queria que o Sr., depois de eu lhe ter dito tudo isso, me dissesse QUANTO TEMPO, E POR QUANTO,
   seria possível me colocar em forma novamente".
Esse cliente já sabia – antes mesmo de começar concretamente sua terapia - como gostaria de sair do tratamento, como se o consultório se transformasse, de repente, numa oficina mecânica, destinada a consertar máquinas quebradas, que deveriam sair de lá prontas, ajustadas, com o motor novo, fiações novas, etc.
Embora esta estória possa parecer engraçada, ela nos mostra, com alguma clareza, as expectativas que alguns clientes alimentam sobre as mudanças que esperam conseguir, a partir de uma ajuda psicoterápica.
Na realidade, as coisas não acontecem exatamente dessa forma. As mudanças, que observamos no decorrer do processo terapêutico, não são dessa ordem. A pessoa não inicia de uma forma e termina de outra preestabelecida. Há mudanças. Entretanto, elas acontecem de outra maneira. São mais gerais do que específicas. Não implicam tanto em formas, mas em conteúdos. Há mais uma alteração da pessoa, enquanto globalidade, e, não, como partes. É a pessoa, como uma gestalt, que é modificada. Essa gestalt é o indivíduo, e sua "modificação" se dá, na medida em que os elementos que o compõem, tornam-se mais visíveis para ele.
Acreditamos que, quando a terapia se desenvolve favoravelmente, o cliente torna-se cada vez mais congruente.
O aumento da congruência é seguido de um grau gradativamente menor de defesas.
Paralelamente, observa-se no cliente uma abertura maior à experiência, e essa abertura permite que mais dados referentes à sua autoimagem sejam percebidos de forma mais correta.
Em consequência dessa crescente abertura e, portanto, deste contato mais amplo com a sua realidade, o cliente torna-se mais eficaz ao enfrentar e ao ultrapassar os problemas de sua vida, incluindo-se, aí, o manejo mais fácil do relacionamento com as pessoas.
Na medida em que o cliente se torna mais apto a resolver as situações problemáticas que vivencia, as tensões que se originavam daí diminuem, e seu nível de ansiedade baixa.
É interessante observar que este decréscimo de tensão e ansiedade abrange não somente o físico, mas o organismo como um todo.
Notamos que, aos poucos, o cliente se torna mais confiante em si mesmo, e, progressivamente, passa a localizar nele o centro de suas próprias escolhas.
Diríamos que com o lócus das escolhas em si mesmo, ele se torna mais confiante e autodirigido.
É nele que passa a residir a fonte de decisões sobre sua própria forma de existir.
Seus julgamentos, suas crenças e verdades deixam de ser algo proveniente de uma fonte situada fora de si mesmo, e passam a funcionar através de um processo de "valorização organísmica", o qual lhe dá condições de descriminar, a nível organísmico, entre a satisfação, as experiências válidas e aquelas que são insatisfatórias e não válidas para seu crescimento.
Sua forma de experienciar as situações vivenciadas ganha um sentido positivo, construtivo e torna-se um guia confiável para seu comportamento. Suas atitudes tornam-se mais abertas, menos defensivas, mais espontâneas. Ele funciona de modo mais adequado aos dados que lhe chegam de fora. Poderíamos dizer que seu comportamento passa a ser mais amadurecido, tanto em relação a si, como também em relação aos demais.
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Veja a primeira parte deste texto clicando no link  http://www.jlbelas.psc.br/meustextos.php?var=meustextos&op=texto&id=34

 Veja a terceira parte deste texto clicando no link  http://www.jlbelas.psc.br/meustextos.php?var=meustextos&op=texto&id=45  )

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